quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Solidão

Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte. Ele não é um solitário. Ele é ocupado. A memoria de nadar no liquido aminiotico lhe dá energia, completude. A mulher pode ser ocupada, mas se sente vazia. Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outro. Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem. Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser. Mas para a mulher, o clímax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela.
Anaïs Nin 



Foto: "Te amando devagar e urgentemente."




Chico Buarque








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